RG Rui Gaudencio - 14 novembro 2016 - PORTUGAL, Lisboa - Alexandra Lucas Coelho, jornalista e escritora, Lisboa
© Rui Gaudencio

Alexandra Lucas Coelho

BIO (3.ª pessoa)

Alexandra Lucas Coelho escreveu dez livros. Quatro romances, cinco volumes de não-ficção e uma narrativa infantojuvenil. O seu romance de estreia, E a Noite Roda, (2012), ganhou o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE). O seu livro de não-ficção Viva México (2010) foi finalista do Prémio Portugal Telecom (hoje Prémio Oceanos). Vários dos seus livros estão publicados no Brasil, e o seu segundo romance, O Meu Amante de Domingo (2014), está traduzido em França (Seuil).

O seu primeiro livro foi Oriente Próximo (2007), a partir da experiência como repórter em Israel/Palestina, território que cobriu ao longo de 15 anos, sobretudo para o Público, diário português no qual trabalhou durante duas décadas.

Antes de se dedicar aos livros, Alexandra Lucas Coelho estudou Ciências da Comunicação (Universidade Nova de Lisboa) e começou a trabalhar como jornalista em 1987, primeiro na rádio, depois em jornal. Cobriu diversas zonas de conflito e crise, do desmantelar da URSS à Guerra da Bósnia, do Médio Oriente (Israel/Palestina, Líbano, Síria, Iraque, Egito, Turquia) à Ásia Central (Paquistão, Afeganistão). Morou como correspondente em Jerusalém e no Rio de Janeiro. Ganhou vários prémios de jornalismo, incluindo o Grande Prémio Gazeta.

Depois de anos a cobrir territórios marcados pelo colonialismo otomano, inglês, francês, israelita, a viagem que fez ao México em 2010 foi um encontro decisivo com a história indígena meso-americana, e o embate desse mundo com o colonialismo espanhol. Na sequência dessa viagem, decidiu ir morar como correspondente para o Brasil, o maior território colonizado por Portugal. Dos anos brasileiros (2010-2014) resultaram dois livros. O primeiro reúne um conjunto de crónicas, Vai, Brasil (2013). O segundo, Deus-dará (2016), é um extenso romance situado no Rio de Janeiro contemporâneo, mas convocando centenas de anos de história colonial, com um foco importante na escravatura. Foi finalista do Grande Prémio APE.

No fim de 2012, decidiu deixar os quadros do jornal para se dedicar aos livros. Atualmente é cronista semanal no site SAPO24 e na rádio pública, RDP/Antena 1.

Além dos títulos já referidos, publicou Caderno Afegão (2009), Tahrir — Os Dias da Revolução (2011) e Orlando e o Rinoceronte, narrativa infantojuvenil que dá início a uma série.

Em Setembro de 2018 sai o seu quarto romance, A Nossa Alegria Chegou.

BIO (1.ª pessoa)

Tive a sorte de escrever sobre várias partes do mundo desde os 22 anos, quando estava de férias em Moscovo e aconteceu o golpe que levou à derrocada da URSS. Durante anos cobri, como repórter, territórios a Oriente marcados pelo colonialismo otomano, francês, inglês, israelita. Mas poucas viagens foram tão decisivas como a que fiz pelo México em 2010, do DF ao Iucatán, de Juárez a Oaxaca, de Ixtipec a San Cristobal de Las Casas. Era um desejo jovem, o México, um México literário, de mezcais, vulcões e surrealistas, que felizmente não se concretizou nos meus 20 anos. Digo felizmente porque creio que os vivos e mortos de outras partes que já trazia comigo aos 40 me ajudaram a ver no México o passado no presente, o futuro no passado, de uma forma até hoje misteriosa. Literalmente mágica, mesmo: nunca, em nenhum lugar tanto me aconteceu em tão pouco tempo. Ateia do Velho Mundo que sou, até hoje não tenho uma explicação para de três (!) semanas mexicanas ter saído um livro de 400 páginas, que ameaçaram ser 500, antes da limpeza geral.

Há meia dúzia de anos deixei as redacções para escrever livros (quase) a tempo inteiro. Em 2018 sai o meu quarto romance e décimo livro. Viva México foi um dos primeiros, continua a ser um dos favoritos. Nunca mais voltei ao México, mas o México mudou, de uma forma concreta, a minha vida. E, de outra forma concreta, tornou-se parte da família.

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