© Luiz Carvalho

Manuel Alegre

BIO (3.ª pessoa)

Manuel Alegre (Águeda, 1936) estudou na Universidade de Coimbra, onde foi dirigente estudantil e fundador do CITAC – Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra.

A sua posição face à ditadura e à guerra colonial levou o regime de Salazar a chamá-lo para o serviço militar, sendo colocado nos Açores (1961) e mais tarde em Angola, onde dirige uma tentativa pioneira de revolta militar e é preso pela PIDE (1963). Colocado depois com residência fixa em Coimbra, passa à clandestinidade e sai para o exílio em 1964.

Em Argel, onde vive dez anos, é dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional e na emissora A Voz da Liberdade a sua voz é um símbolo da resistência e da liberdade.

Os seus primeiros livros, Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967) são apreendidos pela censura, mas passam de mão em mão em cópias manuscritas ou dactilografadas. Os seus poemas cantados tornam-se emblemáticos da luta pela liberdade.

Regressa a Portugal em 1974, entra no Partido Socialista com Mário Soares e participa no I Governo Constitucional. Fez parte do Conselho de Estado. Em 2006 e em 2011, foi candidato independente a Presidente da República.

É sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa.

Em Abril de 2010, a Universidade de Pádua inaugurou a Cátedra Manuel Alegre, destinada ao estudo da Língua, Literatura e Cultura Portuguesas e, em 2017, concedeu-lhe o Doutoramento Honoris Causa, e realizou o Congresso Internacional «Manuel Alegre, Poeta della Libertà».

O ensaísta Eduardo Lourenço considera a sua poesia uma «nostalgia da epopeia» que «sugere espontaneamente aos ouvidos (…) a forma, entre todas arquétipa, da viagem, do viajante ou, talvez melhor, peregrinante».

O livro Senhora das Tempestades (1998) – premiado com o Grande Prémio de Poesia da APE e com o Prémio da Crítica da A.I.C.L. – foi considerado, por Vítor Aguiar e Silva, «uma das mais belas odes escritas na língua portuguesa».

Publicou romances, contos, ensaios, mas sobretudo poesia. Recebeu os mais importantes prémios literários de Portugal: o Pessoa (1999), pela Obra Poética, o Dom Dinis, com Doze Naus (2007), o Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (2016), o de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores (2016) e o Guerra Junqueiro (2017). E as duas mais importantes condecorações do estado português: a Grã Cruz da Ordem da Liberdade e a Grã Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

Em 2017 recebeu a maior distinção da língua portuguesa, o Prémio Camões.

BIO (1.ª pessoa)

Não é verdade que os poetas não tenham biografia. Todos têm. Mesmo Octavio Paz, autor da frase. A ocultação da biografia é uma forma narcísica de construir biografia. Eu não consigo. Escrita e vida são inseparáveis. E esse é o destino.

Não fui bom aluno. Tinha muita coisa para fazer e pouco tempo para estudar. Joguei futebol, fui campeão de natação, fiz teatro, diverti-me, escrevi e rasguei centenas de poemas, tive paixões, namoradas deslumbrantes. Entrei cedo na resistência. Enviado para a guerra colonial. Envolvi-me numa conspiração militar. Preso em Luanda. Depois residência fixa em Coimbra. Voltei à luta revolucionária. Tive de partir para o exílio. Dez anos em Argel, na emissora Voz da Liberdade. Regressei depois da Revolução de Abril.

Primeiros livros apreendidos circularam em cópias manuscritas, foram declamados e cantados. Sou politicamente incorreto: gosto de caça, pesca e toiros. E também de flamenco, de fado e de tango. Gosto da minha família: mulher, filhos, netos. Sei que nenhum verso vence a morte. Acredito na poesia como música interior, inquietação, exorcismo, libertação. Aquém e além da literatura. E como interrogação sobre o mistério do mundo, o amor, a morte, o destino do homem. Meu poema rimou com a minha vida, digo num verso. É esta a minha biografia.

17:00H | Apresentação de livro de Manuel Alegre

Programa Literário Dia 24 novembro

Pavilhão de Portugal | Apresentação

Convidados: Manuel Alegre / Blanca Luz Pulido / Eduardo Langagne


13:00H | Portugal, país de campeões

Programa Literário Dia 25 novembro

Pavilhão de Portugal | Conversa |

Convidados: Manuel Alegre, Ricardo Araújo Pereira

Moderação: Pablo Raphaël


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